Marodin construiu um legado junto à cadeia de frutas de clima temperado

Fruticultura avança a partir da pesquisa

Suas pesquisas na extensão experimental agronômica da UFRGS incluem coleções de espécies como pessegueiros


Graças à sua descendência italiana ligada à região do Vêneto - uma das maiores produtoras de vinho do país europeu -, a proximidade do professor do curso de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Gilmar Marodin com o campo - e, em especial, com a fruticultura - teve início ainda no berço. Tanto o lado materno de sua família quanto o paterno, por tradição, cultivam pomares. Com mais de 30 anos de docência na universidade,  Marodin construiu um legado junto à cadeia de frutas de clima temperado. Ao longo de anos no comando de uma sala de aula, o professor instruiu cerca de 2,2 mil alunos, que, hoje, ocupam os mais diversos cargos no segmento agrícola. Marodin, por outro lado, conta que a carreira docente não era a opção inicial.

Sua trajetória profissional teve início auxiliando agricultores - especialmente pequenos e médios - no momento do cultivo. "Ser professor foi uma grata surpresa, e isso teve início com a vontade de me aprimorar e fazer um mestrado", revela, ao lembrar de sua trajetória. Hoje, Marodin leciona nas áreas de fruticultura temperada e geral da graduação, além de orientar graduandos e pós-graduandos em projetos de pesquisa que visam sanar dificuldades da produção de frutas no Rio Grande do Sul. "Tenho trabalhado intensamente com seleção de plantas de fruta de caroço que tenham qualidade superior em termos de sabor e tolerância de moléstias, além de projeto que oriento sobre seleção de cultivares de baixa necessidade de frio, pensando nas regiões da depressão central e litorânea, que têm potencial para frutas precoces, mas não têm alta incidência de frio", observa. Suas pesquisas na extensão experimental agronômica da UFRGS incluem coleções de espécies como pessegueiros, dos quais mais de 150 cultivares estão em observação. Destes, cerca de 10 exemplares foram recomendados para plantio na região da depressão central do Estado. Além disso, outros 35 materiais de ameixeira, 17 macieiras e 45 pereiras estão em observação, com materiais também já indicados para cultivo na região. O professor relata que alguns braços da cadeia frutífera do Estado, como o da maçã, tiveram um bom desenvolvimento graças a seus players nos últimos anos. Por outro lado, outros - como a do pêssego e de pequenas frutas - têm algumas carências organizacionais e precisam de auxílio para se reestruturar.

A maior dificuldade atualmente enfrentada, diz, é a escassez de recursos para a Pesquisa - o que poderia, inclusive, trazer soluções práticas aos nichos da cadeia com maior necessidade. "Para fazer pesquisas, precisamos de verba, de insumos, de diesel. Minhas atividades são todas a campo, preciso de área, de pomar", lamenta. Por outro lado, ele ainda considera-se privilegiado, uma vez que a fazenda da universidade, localizada em Eldorado do Sul, ainda é satisfatória para os objetivos atuais. "A estrutura é mínima, mas podemos fazer aulas práticas e pesquisas", comenta. Lá, além dos levantamentos ligados à graduação, à pós-graduação e à extensão, também são oferecidos cursos ao público em geral. Há 30 anos, são ministradas aulas sobre pomares domésticos, que, na última edição, em julho, teve público de 45 pessoas, entre estudantes, produtores e demais interessados. Marodin é graduado em Agronomia pela Ufrgs e tem mestrado em Fitotecnia pela mesma instituição. Realizou doutorado sanduíche no México, em 1998. Em 2010, concluiu o pós-doutorado na Universidade de Bolonha, na Itália, atuando em diversos projetos de fruticultura sustentável, nas culturas de videira, pessegueiro e pomáceas.

*Jornal do Comércio/Porto Alegre/RS

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